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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Sorte, de quem?

Sabe, você teve sorte. De tantos momentos para me conhecer, me conheceu na melhor fase da minha vida. Logo quando eu queria sossego e calmaria, quando eu queria atracar meu barco num cais tranquilo. Você teve sorte por eu ter deixado as drogas ano passado, e decidido me ajeitar para prosperar. Ando bebendo tão pouco, e minha garganta vive seca, mas um suco de goiaba já serve. 

Sorte sua que eu cansei da minha vida de putaria, caso tivesse existido uma, mas eu nunca fui muito de ninguém não, nem por aguentar nem por querer. Coincidência você aparecer no momento em que eu queria uma boa companhia, já estava cansado da maré de solidão, se bem que, eu quem a busquei, tornei amiga, quiçá, companheira, mas a solidão tornou-se deveras frustrante. 

E vem você saltitando como uma gazela sem dono, rindo como se o mundo fosse perfeito e todas as pessoas felizes, me dando bola, me esperando duas horas no trabalho só pra conversar por 10 minutos e ganhar um beijinho ou outro, me dando boa noite por mensagens de texto e ao mesmo tempo sem me cansar, sem me irritar, me dando espaço, sem grude algum, sem ser chiclete, sem precisar me ver todos os dias na semana, sem dizer que está apaixonada e que me quer, apenas mostrando que está apaixonada e me querendo. 

Sem reclamar da minha fumaça, dos meus sumiços, do meu silêncio ou da minha perversidade. Poxa, por onde você andou? Parece até um sonho minha pretinha. Mas não minto, pensei isso tudo, mas tive e talvez tenho um pé atrás, sabe? Medo desse cais ser tragado pelo mar, medo de me afogar. Não tenho conseguido me entregar por completo. Nós poderíamos ser mais felizes. Espero que você entenda que apesar de eu ser seguro por fora, tenho minhas incertezas, meus dilemas. Eu sei que você me entende, por isso que estou com você. Por isso que te amo.