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domingo, 30 de setembro de 2012

Morte platônica

Você é assim mesmo: Loira, olhos claros, pele macia e cheirosa, nojenta e doentia. Linda de morrer. E morrer por você seria uma honraria imensa, mas essa noite, na última sexta-feira de setembro, vou ter de recusar. Esta noite, não vou morrer por afogamento nos seus lábios, mesmo sendo o que todas as minhas moléculas desejam. Você tem o estranho costume de aparecer no momento errado, como uma tuberculose. Parece que só se dá conta da minha existência quando eu não posso suicidar. Erro seu, eu fiz o possível pra morrer em você, e você com a sua mania de ingerir toxinas, venenos e drogas variadas me deixou na margem da sua vida e adiou a nossa morte. 

Sim, eu te considero a culpada pela sua própria dor meu bem, a dor de não acabar comigo. A dor de esperar alguém que nunca vai ser 'eu'. Para falar a verdade, eu torço como um fanático pela sua reprodução e que você seja a doença de outro organismo bem melhor que eu. Sim, eu poderia me unir a você, nessa dança de velório e luto eterno, mas não, e sinto muito. Não sei se comecei a me infectar por osmose ou por transfusão, mas sei que essa doença (amor) vai correr sempre nas minhas veias, mas eu posso conviver muito bem tomando doses cavalares de um coquetel chamado: Outra. 

Sim, outra para me infectar. E tudo se deve ao seu atraso, a sua forma indigna de não apresentar sintomas, de não me derrubar numa cama. E admito que eu tenho uma grande parcela de culpa nisso, minha "linds". Eu deixei o atraso acontecer, eu deixei você viver sem mim achando que você simplesmente me daria alguns espasmos: Não haveria necessidade de um ataque cardíaco, um leve acidente vascular cerebral resolveria tudo, mas a sua tentativa de me deixar imunodeficiente não funcionou. 

Não vou mentir, uma outra doença brotou na minha vida, e pela primeira vez eu quero mantê-la comigo, deixei essa hipocondria e passei a ver o lado legal de estar doente (amor). E você minha doce doença loira, eu tenho que deixar de lado pois não quero aumentar os riscos. Sinto muito, mas é como eu disse, agora eu estou infectado por outra, e ao seu vírus (amor), eu estou imune. Uma pena, desejei tanto tempo morrer em você que agora, que nunca tive os sintomas, que nunca experimentei sua doce agonia... Nem me faz tanta falta. Nem mesmo preciso te procurar nos hospitais e clínicas de reabilitação, porque... Estou curado de você.

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