Você chegou a dois meses, nem te vi entrar. Foi se apossando devagarzinho da minha boca, desceu até o pescoço e eu senti um imenso arrepio. Meus olhos, ás vezes fúteis, ás vezes cegos de razão, já não gostam de fechar quando você passa. Querem se manter abertos, para não perder nada desse seu charme. Meus ouvidos, não muito exigentes fizeram da sua voz, música-tema, e não param de querer ouvir mais e mais e mais. Minha pele, da tua pele fez imã e é atraída como fogo e pólvora quando você se laça em mim. Minhas mãos, assanhadas que só elas, querem andar por todas as estradas do seu corpo, todas as curvas, encruzilhadas e viadutos. E eu não sei os motivos pelos quais meu corpo te deseja tanto, nem tampouco de onde você surgiu e como conseguiu essa proeza: me dominar em tão pouco tempo. De um golpe só você me fez refém, e por um minuto ou dois, pode me torturar. Eu deixo.
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